Resposta direta: CID F33 é o código do transtorno depressivo recorrente na CID-10, a classificação que aparece nos atestados e nos sistemas do INSS. Ele é usado quando a pessoa já teve mais de um episódio depressivo ao longo da vida, sem episódios de euforia ou mania. O número depois do ponto (F33.0, F33.1, F33.2 e assim por diante) mostra como está o episódio atual: leve, moderado, grave ou em remissão.

O F33 não define quantos dias de atestado a pessoa tem, nem garante aposentadoria ou estabilidade. Esses pontos dependem da avaliação médica, da perícia do INSS e da relação do quadro com o trabalho. Quando o trabalho causa ou agrava a nova crise, o benefício pode ser acidentário (B91), com 12 meses de estabilidade depois da alta.

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Quando a depressão volta, o medo costuma ser outro: vou ter que me afastar de novo? O INSS vai desconfiar? A empresa vai me ver como “problema”? Este guia explica o código, os subtipos e o que muda no trabalho quando o quadro é recorrente.

O que significa CID F33?

CID é a Classificação Internacional de Doenças, organizada pela Organização Mundial da Saúde. No Brasil, os documentos ainda usam majoritariamente a 10ª revisão, a CID-10. O capítulo F reúne os transtornos mentais e comportamentais, e o grupo F30 a F39 trata dos transtornos do humor.

O F33 é o “Transtorno depressivo recorrente”. Pela descrição da CID-10, ele é usado quando há episódios depressivos repetidos, sem história de episódios independentes de humor elevado e energia aumentada, que caracterizariam o transtorno bipolar. Entre um episódio e outro, a pessoa pode ficar bem por meses ou anos.

Recorrente quer dizer que voltou, não que é mais grave ou que não tem tratamento. Uma pessoa com F33 pode ter longos períodos sem sintomas, trabalhar normalmente e precisar de cuidado redobrado só nas fases de recaída.

Na CID-11, o transtorno depressivo recorrente tem o código 6A71. Os atestados no Brasil, porém, continuam trazendo, na maior parte, o código da CID-10.

Qual a diferença entre F32 e F33?

A diferença está no histórico, não na intensidade do momento:

PontoF32: Episódio depressivoF33: Transtorno depressivo recorrente
Quando é usadoPrimeiro episódio, ou episódio sem histórico de outrosQuando já houve episódios depressivos anteriores
O que o subcódigo indicaA gravidade do episódioA gravidade do episódio atual, ou que a pessoa está em remissão
Existe código de remissão?NãoSim, o F33.4
Código na CID-116A706A71

Por isso, alguém pode ter um primeiro atestado com F32 e, anos depois, numa nova crise, receber F33. Não é troca de diagnóstico: é o mesmo problema visto com o histórico completo. O guia do CID F32 e seus subtipos explica o episódio depressivo em detalhe. Se o atestado mistura ansiedade e depressão, veja também o guia do CID F41.2, transtorno misto ansioso e depressivo.

Tabela do CID F33: subtipos de F33.0 a F33.9

O número depois do ponto descreve o episódio atual. É ele que mostra, naquele atestado, como a pessoa está.

CódigoNome oficial (CID-10)O que indica, em linguagem simples
F33Transtorno depressivo recorrenteCódigo geral do grupo, sem detalhar o episódio atual
F33.0Transtorno depressivo recorrente, episódio atual leveDepressão que volta, agora com sintomas leves; a pessoa mantém boa parte das atividades, com esforço
F33.1Transtorno depressivo recorrente, episódio atual moderadoDepressão que volta, agora com dificuldade real de dar conta do trabalho e da rotina
F33.2Transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave sem sintomas psicóticosNova crise intensa, com perda importante de energia, autoestima e capacidade de funcionar
F33.3Transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave com sintomas psicóticosCrise grave acompanhada de delírios ou alucinações; exige acompanhamento próximo e, às vezes, internação
F33.4Transtorno depressivo recorrente, atualmente em remissãoHistórico de episódios, mas sem sintomas significativos no momento
F33.8Outros transtornos depressivos recorrentesQuadros recorrentes que não se encaixam nas descrições anteriores
F33.9Transtorno depressivo recorrente sem especificaçãoDepressão recorrente registrada sem detalhar o episódio atual

O subcódigo muda com a evolução. Uma mesma pessoa pode passar de F33.2 para F33.1 com o tratamento e, meses depois, chegar ao F33.4.

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Checklist: como garantir o B91 e a estabilidade de 12 meses

Se a sua depressão voltou e tem relação com o trabalho, a documentação certa faz diferença desde o primeiro atestado da nova crise. Os documentos que a perícia espera, o que não pode faltar no relatório médico, como pedir a CAT e a conversão de B31 em B91. Preparado pela Equipe AssédioNet.

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O que significa CID F33.2, F33.1 e F33.3?

São os códigos mais procurados porque costumam aparecer em atestados de afastamento.

  • F33.1 (episódio atual moderado): a depressão voltou com sintomas que já atrapalham o trabalho de forma clara. A pessoa erra mais, demora mais, falta e sente que está “no limite”. Dependendo da função, pode ou não haver afastamento.
  • F33.2 (episódio atual grave sem sintomas psicóticos): a nova crise é intensa. Há desânimo profundo, culpa, sensação de inutilidade, alterações fortes de sono e apetite, e as atividades ficam muito limitadas. Em geral, a capacidade para o trabalho fica bastante comprometida.
  • F33.3 (episódio atual grave com sintomas psicóticos): além da gravidade, há delírios ou alucinações, em geral ligados ao humor, como certeza de culpa ou de ruína. Pede acompanhamento psiquiátrico próximo e, às vezes, internação.

Em qualquer um deles, o que decide o afastamento não é a letra do código, e sim o quanto os sintomas impedem as tarefas concretas da função.

F33.4 em remissão: o que muda no trabalho?

O F33.4 indica que a pessoa tem histórico de depressão recorrente, mas está bem no momento. Ele pode aparecer em relatórios de acompanhamento, no exame de retorno ou em documentos de manutenção do tratamento.

Esse código, sozinho, não indica incapacidade. Ele mostra que a pessoa precisa seguir em tratamento para prevenir novas crises, o que pode incluir consultas regulares e medicação contínua. Remissão não é motivo para a empresa tratar a pessoa como “frágil”, nem para negar promoções ou funções.

Quantos dias de atestado dá o CID F33?

Nenhum CID define quantidade de dias de atestado, e o F33 também não. O fato de ser recorrente não gera, por si só, afastamento maior. O tempo é decidido pelo médico a partir do episódio atual, do tratamento e da função.

Período de afastamentoQuem decideQuem paga
Até 15 diasO médico que emite o atestadoA empresa, como salário normal
A partir do 16º diaA perícia médica do INSSO INSS, pelo auxílio por incapacidade temporária

Atestados curtos e seguidos pela mesma doença podem ser somados. Na depressão recorrente, isso pesa, porque várias faltas curtas na mesma fase de recaída podem passar de 15 dias e levar ao encaminhamento ao INSS. O passo a passo está em como pedir afastamento por saúde mental.

Como é a perícia do INSS no transtorno depressivo recorrente?

A perícia médica do INSS avalia se, naquele momento, a pessoa está incapaz para o trabalho que faz. No F33, o histórico ajuda a contar a história, mas o que decide é a crise atual. Um relatório que só diga “F33.2, afastar por 90 dias” costuma ajudar pouco.

Um relatório útil no quadro recorrente descreve:

  • os episódios anteriores, com datas aproximadas, tratamentos e afastamentos;
  • os sintomas da crise atual e como aparecem no dia a dia;
  • o tratamento em curso, com remédios, doses, tempo de uso e ajustes recentes;
  • por que os sintomas impedem as tarefas concretas da função;
  • a previsão de reavaliação.

Leve receitas antigas e atuais, relatórios de psicoterapia e documentos dos afastamentos anteriores. Para se organizar, veja como se preparar para a perícia do INSS por depressão. Se o benefício for negado, o guia INSS negou afastamento psiquiátrico mostra as opções.

Afastamentos longos com F33: e a aposentadoria?

Quando a crise se prolonga, o benefício por incapacidade temporária pode ser prorrogado. O pedido de prorrogação é feito pelo Meu INSS antes da data prevista para o fim do benefício, e a pessoa passa por nova perícia.

A aposentadoria por incapacidade permanente, a antiga aposentadoria por invalidez, é uma possibilidade prevista na lei, mas não é consequência automática do F33. Ela só é concedida quando a perícia conclui que a incapacidade é permanente e que não há como reabilitar a pessoa para outra atividade. Mesmo depois de concedida, o benefício pode ser revisto pelo INSS. Antes disso, a lei prevê outros caminhos, como a reabilitação profissional e a mudança de função. O guia sobre readaptação de função após o afastamento explica essa saída.

Depressão recorrente dá B91?

Pode dar. O código não define a espécie do benefício. O que define é a relação entre o adoecimento e o trabalho, o nexo. E aqui surge uma dúvida: “se eu já tinha depressão antes, o trabalho não pode ser a causa”. Não é bem assim. A Lei 8.213/1991 admite que o trabalho seja concausa, ou seja, que contribua para o adoecimento ou o agrave, mesmo que não seja a única causa. Uma nova crise desencadeada por assédio ou por metas abusivas pode ter nexo, mesmo em quem já tinha histórico.

PontoB31 (comum)B91 (acidentário)
Quando é concedidoA perícia entende que a crise não tem relação com o trabalhoA crise é reconhecida como causada ou agravada pelo trabalho
Estabilidade na voltaNão há estabilidade automática12 meses após a alta do INSS (art. 118 da Lei 8.213/1991)
FGTS durante o afastamentoA empresa não precisa depositarA empresa continua depositando

O nexo pode vir pelo NTEP, que cruza o CID com o CNAE da empresa, pela CAT ou pela análise da perícia. Veja como saber se o benefício é B31 ou B91, quem emite a CAT em caso de doença mental e como converter B31 em B91. O relatório médico deve descrever os fatos com honestidade, sem afirmar um nexo que o médico não consegue sustentar.

Com CID F33, posso ser demitido?

SituaçãoO que vale
Durante o atestado ou o afastamento pelo INSSNão pode haver demissão sem justa causa, porque o contrato está interrompido ou suspenso
Depois de afastamento pelo B91Estabilidade de 12 meses contados da alta do INSS, salvo justa causa
Depois de afastamento pelo B31 ou de atestados curtosNão há estabilidade automática, mas a dispensa motivada pela doença é discriminatória e pode ser questionada

A Súmula 443 do TST presume discriminatória a dispensa de empregado com doença grave que gere estigma ou preconceito. Afastamentos repetidos não são, por si só, justa causa. Se a demissão vem logo depois da volta, guarde documentos e busque orientação. Veja afastamento por depressão e estabilidade e demitido depois de voltar do afastamento.

Como voltar ao trabalho e reduzir o risco de nova crise?

Na depressão recorrente, a volta ao trabalho é também um momento de prevenção. Depois de afastamento de 30 dias ou mais por doença, a NR-7 prevê o exame de retorno com o médico do trabalho antes de reassumir a função. É a hora de falar sobre adaptações temporárias.

  • mantenha o tratamento mesmo se sentindo bem, sem parar a medicação por conta própria;
  • aprenda a reconhecer os seus sinais de recaída, como sono alterado, irritação e isolamento;
  • combine com a empresa um retorno gradual de tarefas, quando possível;
  • registre por escrito pressões, retaliações e comentários sobre o afastamento.

Se o gatilho das crises está no ambiente de trabalho, como assédio moral e seus efeitos na saúde mental, isso precisa ser tratado, ou a recaída tende a voltar. O guia retorno ao trabalho após afastamento por saúde mental traz mais detalhes.

Para RH, DP e lideranças

Afastamentos repetidos por depressão na mesma equipe são um sinal para rever a organização do trabalho, a forma de cobrança e o acolhimento na volta. Desde 26/05/2026, a NR-1 exige que os riscos psicossociais façam parte da gestão de riscos no PGR. A AssédioNet leva o tema para dentro da empresa em palestra ou treinamento com médica e Auditora-Fiscal do Trabalho, presencial ou online, para lideranças, CIPA e SIPAT.

Palestra sobre saúde mental no trabalhoO que o RH deve fazer no afastamento

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Para entender como o Direito do Trabalho trata a depressão ligada ao trabalho, a concausa, o nexo e a prevenção de recaídas dentro das empresas. Referência em pós-graduações de Direito, Medicina do Trabalho e Psiquiatria, na 3ª edição revisada e ampliada (2024).

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Perguntas frequentes sobre o CID F33

O que significa CID F33 no atestado?

Significa transtorno depressivo recorrente, pela CID-10. O médico registra que a pessoa já teve mais de um episódio depressivo ao longo da vida, sem episódios de euforia ou mania. O número depois do ponto indica como está o episódio atual.

Qual a diferença entre CID F32 e F33?

F32 é um episódio depressivo. F33 é usado quando os episódios depressivos se repetem ao longo do tempo. A escolha depende do histórico da pessoa, não da gravidade do momento.

O que é CID F33.2?

É transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave sem sintomas psicóticos. A pessoa tem um histórico de depressão que volta e, no momento, está num episódio grave, com as atividades muito limitadas.

O que é CID F33.1?

É transtorno depressivo recorrente, episódio atual moderado. Há histórico de episódios anteriores e o episódio de agora traz dificuldade real de dar conta do trabalho e da rotina.

O que significa F33.4?

É transtorno depressivo recorrente, atualmente em remissão. A pessoa já teve episódios depressivos, mas no momento está sem sintomas significativos. O código mostra o histórico, não uma crise atual.

Quantos dias de atestado o CID F33 dá?

Nenhum número fixo. Nenhum CID define dias de atestado. O médico decide o tempo conforme a gravidade do episódio atual e o tipo de trabalho. Até 15 dias quem paga é a empresa; a partir do 16º dia, o afastamento passa pela perícia médica do INSS.

Depressão recorrente aposenta?

Não automaticamente. A aposentadoria por incapacidade permanente só é concedida quando a perícia médica do INSS conclui que a incapacidade é permanente e que não há possibilidade de reabilitação para outra atividade. Na maior parte dos casos, o caminho é o afastamento temporário e o tratamento.

CID F33 dá estabilidade no emprego?

Não automaticamente. A estabilidade de 12 meses após a alta existe quando o afastamento é pelo B91, ou seja, quando a depressão é reconhecida como relacionada ao trabalho. Com B31 não há estabilidade automática, mas a dispensa motivada pela doença pode ser questionada como discriminatória.

Posso ser demitido por ter depressão recorrente?

Durante o afastamento, não pode haver demissão sem justa causa. Depois de B91, há 12 meses de estabilidade contados da alta. Depois de B31, não há estabilidade legal, mas a demissão motivada pela doença pode ser anulada na Justiça do Trabalho.

O F33 pode ser considerado doença do trabalho?

Pode, quando o trabalho causa uma nova crise ou agrava o quadro, como em casos de assédio moral, metas abusivas ou jornadas excessivas. O histórico de depressão não impede o reconhecimento do nexo, porque o trabalho pode atuar como fator que desencadeia ou piora o episódio.

Fontes oficiais

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Escrito por Equipe AssédioNet.