Resposta direta: nenhuma frase isolada causa burnout. O risco está na repetição: comentários que desqualificam, ameaçam, comparam ou negam pausa e descanso, ditos com frequência, mantêm a pessoa em estresse crônico, que é o caminho do esgotamento. Quando esse padrão humilha e persegue alguém, pode configurar assédio moral.
Quer levar este tema para a sua empresa? O AssédioNet já realizou mais de 280 palestras e treinamentos sobre assédio, NR-1 e riscos psicossociais. Pedir proposta de palestra pelo WhatsApp.
A entrevista à Exame
Em setembro de 2024, mês do Setembro Amarelo, a revista Exame publicou reportagem de Layane Serrano com 30 frases comuns no ambiente corporativo que podem contribuir para o burnout. A entrevistada foi a médica e auditora-fiscal do trabalho Luciana Veloso Baruki, fundadora do AssédioNet.
“Quando uma pessoa é constantemente exposta a esse tipo de comunicação, as consequências para a sua saúde mental podem ser graves, levando ao desenvolvimento do burnout e outras doenças mentais”, disse ela à revista. A lista completa está na reportagem da Exame.
Exemplos de frases, por tipo de pressão
Separamos oito das frases citadas na reportagem, agrupadas pelo tipo de pressão que exercem:
- Desqualificação e comparação: “Eu esperava mais de alguém com a sua experiência.” e “Por que você não é mais como Fulano? Ele sempre entrega.”
- Disponibilidade sem limite: “Todo mundo aqui faz hora extra, por que você não pode?” e “Para ter sucesso aqui, você precisa estar disponível 24/7.”
- Ameaça e hierarquia: “Se você não conseguir entregar, encontraremos alguém que dê conta do recado.” e “Você deveria se sentir sortudo por ter um emprego.”
- Discriminação: “Eu sei que você tem filhos, mas precisamos de alguém comprometido.” e “Eu sei que as mulheres são mais detalhistas, mas precisamos de mais rapidez.”
As duas últimas vão além da pressão: tratam alguém pior por ter filhos ou por ser mulher. Sexo e situação familiar estão entre os motivos de discriminação que a Lei 9.029/1995 proíbe no trabalho.
Por que frases repetidas adoecem
A Organização Mundial da Saúde descreve o burnout como resultado do estresse crônico no trabalho que não foi gerenciado com sucesso. Na CID-11, ele tem o código QD85 e é classificado como fenômeno ocupacional, com três marcas: exaustão, distanciamento mental do trabalho e sensação de ineficácia.
Frases como as da lista não esgotam ninguém num dia. O efeito vem da exposição contínua: a pessoa passa a trabalhar em alerta, com medo de errar, sem conseguir se desligar. Na entrevista, a médica observa que o assédio que antes aparecia em gritos e xingamentos hoje se manifesta mais em microagressões, microgerenciamento e comentários passivo-agressivos.
Cobrança legítima ou assédio?
| Cobrança legítima | Pode ser assédio |
|---|---|
| Fala do trabalho e do resultado | Ataca a pessoa, a capacidade ou a vida pessoal |
| Metas possíveis, com recursos | Metas impossíveis por desenho, para expor quem não cumpre |
| Feedback em particular, com orientação | Crítica pública, com humilhação |
| Situação pontual | Padrão repetido ao longo do tempo |
| Mesma régua para toda a equipe | Dirigida a uma pessoa ou a um grupo |
A diferença entre as duas colunas está detalhada em assédio moral ou exigência profissional: onde está o limite.
O que fazer se essas frases fazem parte da sua rotina
- Não normalize: reconhecer que o problema existe é o primeiro passo, como a entrevistada destaca na reportagem.
- Registre: anote a frase, a data e quem estava presente. Guarde mensagens.
- Busque apoio: de colegas de confiança e, sempre que possível, de um profissional de saúde.
- Use os canais: canal de denúncia, RH, CIPA ou sindicato. Veja como denunciar assédio moral.
- Se os sintomas já atrapalham a vida, procure avaliação médica. O afastamento por saúde mental é um direito quando há incapacidade.
O que a empresa pode fazer
Treinar líderes para cobrar sem humilhar, rever metas que só se cumprem com hora extra permanente, respeitar o horário de descanso e manter um canal de denúncia que funcione. Desde 26/05/2026, a NR-1 exige que os riscos psicossociais, como a comunicação agressiva e a sobrecarga, entrem no gerenciamento de riscos da empresa. O checklist da NR-1 mostra o que a fiscalização observa.
Fontes oficiais
- OMS: burnout como fenômeno ocupacional na CID-11 (2019): Reconhecimento pela OMS do burnout como fenômeno ocupacional na CID-11 (código QD85).
- Lei 9.029/1995 (práticas discriminatórias no trabalho): Proíbe discriminação no trabalho por sexo e situação familiar, entre outros motivos.
- CLT (Decreto-Lei 5.452/1943): Rescisão indireta (art. 483) e indenização por dano extrapatrimonial (arts. 223-A a 223-G).
- NR-1: Disposições gerais e gerenciamento de riscos ocupacionais (MTE): Gerenciamento de riscos ocupacionais, que inclui os riscos psicossociais.
Como o AssédioNet pode ajudar
Para empresas: palestras e treinamentos sobre assédio, NR-1 e riscos psicossociais, com mais de 280 já realizados.
Para trabalhadores: consulta médica em saúde mental do trabalho.
