O conceito de riscos psicossociais no trabalho ainda é pouco compreendido pela maioria dos gestores e profissionais de RH brasileiros, apesar de ser o tema central de uma das maiores transformações recentes na legislação trabalhista do país. Com a atualização da NR-1, esses riscos passaram a ter o mesmo status legal que riscos físicos e químicos: precisam ser identificados, avaliados, controlados e documentados.
Este artigo reúne o que há de mais atualizado e preciso sobre o tema, com base na literatura científica e na obra de referência nacional “Riscos Psicossociais e Saúde Mental do Trabalhador”, de autoria da Dra. Luciana Baruki, médica do trabalho e doutora em Direito, pioneira no estudo dos riscos psicossociais no Brasil.
O que são riscos psicossociais no trabalho?
Riscos psicossociais são condições do ambiente de trabalho relacionadas à organização, conteúdo, gestão e relações interpessoais que têm o potencial de causar danos à saúde mental, emocional e física dos trabalhadores.
O conceito foi formalmente estabelecido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) na década de 1980 e consolidado pela OMS como um dos principais determinantes do adoecimento mental relacionado ao trabalho. No Brasil, a nova NR-1 incorporou essa definição ao ordenamento jurídico trabalhista, tornando sua gestão obrigatória para todas as empresas com empregados CLT.
Diferentemente dos riscos físicos (ruído, calor, queda) ou químicos (exposição a substâncias tóxicas), os riscos psicossociais são invisíveis e difusos, surgem da forma como o trabalho é organizado, gerenciado e vivenciado. Por isso, são mais difíceis de identificar, mas igualmente, às vezes mais, danosos à saúde.
Quais são os principais riscos psicossociais no trabalho?
A literatura científica internacional, consolidada na obra da Dra. Luciana Baruki, identifica os seguintes grupos de fatores de risco psicossocial:
Organização e conteúdo do trabalho
- Sobrecarga quantitativa, volume de trabalho superior à capacidade humana de execução no tempo disponível
- Subcarga qualitativa, trabalho monótono, repetitivo, sem desafios ou significado
- Falta de clareza de papéis, ausência de definição clara de funções e responsabilidades
- Conflito de papéis, exigências contraditórias de diferentes superiores ou partes interessadas
Gestão e controle
- Falta de autonomia, ausência de controle sobre o próprio ritmo, método e decisões de trabalho
- Monitoramento excessivo, vigilância constante e desproporcional das atividades
- Insegurança no emprego, ameaça real ou percebida de demissão, rebaixamento ou mudança indesejada
Relações interpessoais e liderança
- Assédio moral, exposição repetida a condutas humilhantes, abusivas ou degradantes
- Assédio sexual, condutas de natureza sexual não consentidas no ambiente de trabalho
- Violência no trabalho, agressões físicas, verbais ou psicológicas
- Liderança inadequada, gestão autoritária, omissa ou baseada no medo e na ameaça
- Falta de suporte social, ausência de apoio de colegas e superiores
Interface trabalho-vida pessoal
- Jornadas excessivas e pressão por disponibilidade permanente fora do horário de trabalho
- Desequilíbrio trabalho-vida, impossibilidade de conciliar obrigações profissionais e pessoais
📖 A obra de referência nacional sobre o tema
“Riscos Psicossociais e Saúde Mental do Trabalhador”
Dra. Luciana Baruki, médica do trabalho e doutora em Direito
Disponível em formato físico e digital
Como os riscos psicossociais afetam a saúde mental dos trabalhadores?
A exposição prolongada a fatores de risco psicossocial está diretamente associada ao desenvolvimento de transtornos mentais relacionados ao trabalho. Os mais comuns são:
- Burnout (CID-11: QD85), síndrome de esgotamento físico e emocional resultante do estresse crônico no trabalho não gerenciado
- Transtornos de ansiedade, ansiedade generalizada, síndrome do pânico, fobias relacionadas ao trabalho
- Depressão, especialmente quando associada à perda de sentido no trabalho, assédio moral e falta de reconhecimento
- Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), em casos de violência no trabalho ou exposição a situações traumáticas
- Transtornos do sono, insônia e distúrbios do sono relacionados à pressão e à ansiedade profissional
Segundo dados do INSS, os transtornos mentais e comportamentais representam a terceira maior causa de afastamentos previdenciários no Brasil. O custo humano, social e econômico desses adoecimentos é enorme, e em grande parte evitável com a gestão adequada dos riscos psicossociais.
O que a NR-1 exige sobre riscos psicossociais?
A atualização da NR-1 (Norma Regulamentadora n.º 1), publicada em 2025 pelo Ministério do Trabalho e Emprego, tornou obrigatória para todas as empresas brasileiras com empregados CLT a:
- Identificação dos fatores de risco psicossocial presentes em cada cargo e setor
- Avaliação da probabilidade e gravidade dos danos potenciais à saúde mental
- Implementação de medidas de controle para eliminar, reduzir ou gerenciar os riscos identificados
- Documentação de tudo no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR)
- Monitoramento contínuo por meio de indicadores de saúde mental e clima organizacional
O não cumprimento da norma expõe a empresa a autuações do Ministério do Trabalho, ações trabalhistas por danos morais e psíquicos, e responsabilização por afastamentos relacionados à saúde mental dos trabalhadores.
Como identificar e mapear os riscos psicossociais na empresa?
O mapeamento dos riscos psicossociais exige uma abordagem multidimensional. As principais ferramentas e fontes de dados são:
Fontes de dados quantitativos
- Taxa de absenteísmo e afastamentos, especialmente por CID F (transtornos mentais)
- Índice de rotatividade (turnover) por setor e função
- Número e natureza das reclamações trabalhistas
- Dados de saúde ocupacional do PCMSO
Fontes de dados qualitativos
- Pesquisas de clima organizacional com questões específicas sobre fatores psicossociais
- Grupos focais e entrevistas com trabalhadores e lideranças
- Análise de entrevistas de desligamento
- Relatos no canal de denúncia interno
Instrumentos validados
Existem questionários científicos validados para avaliação dos riscos psicossociais no trabalho, como o COPSOQ (Copenhagen Psychosocial Questionnaire) e o JCQ (Job Content Questionnaire), que permitem uma avaliação sistemática e comparável com benchmarks internacionais.
O livro que toda empresa precisa ter sobre riscos psicossociais
No Brasil, há pouquíssimas obras de referência que tratam os riscos psicossociais com profundidade técnica, rigor jurídico e aplicabilidade prática. “Riscos Psicossociais e Saúde Mental do Trabalhador”, da Dra. Luciana Baruki, é a principal delas.
A obra reúne:
- A fundamentação científica e jurídica dos riscos psicossociais no contexto brasileiro
- A análise das obrigações legais das empresas sob a NR-1 e demais normas aplicáveis
- Casos práticos e ferramentas para identificação e gestão dos riscos
- A relação entre riscos psicossociais, assédio moral, burnout e adoecimento psíquico
- Orientações para médicos do trabalho, advogados trabalhistas, profissionais de RH e gestores
É leitura obrigatória para qualquer profissional que atua com saúde, segurança do trabalho, gestão de pessoas ou compliance no Brasil.
📖 Tenha a obra de referência sobre riscos psicossociais no Brasil
“Riscos Psicossociais e Saúde Mental do Trabalhador”
Dra. Luciana Baruki
Disponível em formato físico e digital
Perguntas frequentes sobre riscos psicossociais
O que são riscos psicossociais segundo a NR-1?
Segundo a nova NR-1, riscos psicossociais são condições de trabalho relacionadas à organização, gestão, conteúdo e relações interpessoais que podem causar sofrimento psíquico ou adoecimento mental nos trabalhadores. Exemplos incluem sobrecarga de trabalho, assédio moral, falta de autonomia, insegurança no emprego e conflitos interpessoais.
Qual a diferença entre risco psicossocial e adoecimento mental?
O risco psicossocial é o fator de exposição, a condição do ambiente de trabalho que tem potencial de causar dano. O adoecimento mental (como burnout, ansiedade ou depressão) é o dano que pode resultar dessa exposição prolongada. A NR-1 exige que as empresas gerenciem os riscos, ou seja, atuem antes que o adoecimento aconteça.
Toda empresa precisa fazer a gestão dos riscos psicossociais?
Sim. A partir da atualização da NR-1, toda empresa com empregados CLT, independentemente do porte, está obrigada a identificar, avaliar e controlar os riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Como os riscos psicossociais se relacionam com o assédio moral?
O assédio moral é um dos principais riscos psicossociais reconhecidos pela NR-1 e pela literatura científica internacional. Ele se enquadra no grupo de riscos relacionados às relações interpessoais e ao estilo de liderança. A nova NR-1 exige que as empresas incluam o risco de assédio moral no PGR e implementem medidas ativas de prevenção.
Existe um livro brasileiro de referência sobre riscos psicossociais?
Sim. A principal obra de referência no Brasil é “Riscos Psicossociais e Saúde Mental do Trabalhador”, da Dra. Luciana Baruki, médica do trabalho e doutora em Direito. O livro aborda com profundidade técnica e jurídica o tema no contexto da legislação brasileira, incluindo a NR-1, assédio moral e burnout.
Dra. Luciana Baruki é médica do trabalho, doutora em Direito, autora do livro “Riscos Psicossociais e Saúde Mental do Trabalhador” e referência nacional em assédio moral, burnout e saúde mental no ambiente corporativo. Para saber mais sobre palestras in company ou agendar uma consulta, acesse aqui.
