Resposta direta: assédio psicológico no trabalho é a exposição repetida do trabalhador a condutas que humilham, isolam, intimidam ou desestabilizam, ferindo a dignidade e a saúde mental. No Brasil, o termo é usado como sinônimo de assédio moral. Exemplos típicos: humilhação na frente dos colegas, isolamento proposital, metas impossíveis com ameaça, esvaziamento de função e controle abusivo de pausas.

Quem passa por isso deve registrar os fatos no dia em que acontecem, guardar provas, cuidar da saúde com acompanhamento médico e usar os canais de denúncia da empresa ou de fora dela. A empresa responde pelo que acontece no ambiente de trabalho e, pela NR-1, precisa gerenciar esse tipo de risco.

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O que separa o assédio de uma gestão exigente não é o tom de voz num dia ruim. É a repetição, a intenção ou o efeito de rebaixar a pessoa, e o dano que isso produz. Abaixo estão o conceito, 15 exemplos agrupados pela forma como o assédio aparece na prática, o que não é assédio e o que fazer, passo a passo.

O que é assédio psicológico no trabalho?

Não existe no Brasil uma lei federal que defina assédio moral para todos os trabalhadores e o tipifique como crime. Ele é tratado como ilícito trabalhista e civil: gera indenização, pode justificar a rescisão indireta do contrato e responsabiliza a empresa. Na Justiça do Trabalho, costuma-se exigir quatro elementos:

  • conduta abusiva: palavras, gestos, atitudes ou omissões que ferem a dignidade;
  • repetição: não é um episódio isolado, é um padrão que se prolonga;
  • direcionamento: atinge uma pessoa ou um grupo;
  • dano: psicológico, profissional ou à integridade de quem sofre.

A Convenção 190 da Organização Internacional do Trabalho, adotada em 2019 e dedicada à violência e ao assédio no mundo do trabalho, amplia esse olhar: admite que mesmo um episódio único, se grave, pode ser considerado violência. E, desde 26/05/2026, a NR-1 exige que as empresas identifiquem e controlem os riscos psicossociais no PGR, o que inclui o assédio. O conceito geral está no guia sobre assédio moral no trabalho: como identificar e combater.

Assédio psicológico no trabalho: 15 exemplos

Humilhação e exposição

  1. Gritar, xingar ou ridicularizar o trabalhador na frente de colegas ou clientes.
  2. Expor erros em grupos de WhatsApp ou reuniões com o objetivo de constranger.
  3. Criar apelidos pejorativos ou fazer “brincadeiras” recorrentes sobre aparência, peso, sotaque, idade ou orientação sexual.
  4. Divulgar informações de saúde, como diagnóstico ou afastamento, para a equipe.

Isolamento

  1. Excluir a pessoa de reuniões, e-mails e decisões que fazem parte da função dela.
  2. Proibir colegas de conversar com ela ou mudar sua mesa para um lugar separado sem motivo.
  3. Ignorar de forma sistemática cumprimentos, perguntas e pedidos de trabalho.

Ataque ao trabalho

  1. Retirar as tarefas e deixar a pessoa sem nada para fazer, o chamado esvaziamento de função.
  2. Dar tarefas muito abaixo ou muito acima da capacidade, de forma deliberada, para provocar erro.
  3. Fixar metas impossíveis e ameaçar de demissão quem não as atinge.
  4. Criticar tudo o que a pessoa entrega, sem dizer o que deve ser corrigido.

Controle e intimidação

  1. Controlar idas ao banheiro, pausas ou tempo de almoço de uma forma que não se aplica aos demais.
  2. Fazer ameaças constantes de demissão, transferência ou punição.
  3. Cobrar respostas por mensagem fora do horário, com retaliação para quem não responde.
  4. Distorcer fatos para fazer a pessoa duvidar da própria memória e percepção, o que se conhece como gaslighting no trabalho.

Muitos desses exemplos também acontecem a distância, por videochamada, e-mail e aplicativos. O texto sobre assédio moral em home office mostra como eles aparecem no trabalho remoto.

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Abuso psicológico, violência psicológica e assédio: qual a diferença?

Na prática, quem busca por abuso psicológico no trabalho, abuso emocional ou violência psicológica no ambiente de trabalho está descrevendo a mesma família de condutas. A diferença está no peso jurídico de cada palavra:

TermoComo costuma ser usadoConsequência jurídica
Assédio moralNome jurídico mais usado no Brasil para o padrão repetido de humilhaçãoIndenização, rescisão indireta e responsabilidade da empresa
Assédio psicológicoSinônimo de assédio moral no uso comumAs mesmas do assédio moral
Abuso psicológico ou emocionalDescrição leiga de condutas que manipulam, intimidam ou rebaixamDepende de configurar assédio ou ofensa grave
Violência psicológicaTermo usado pela OIT e por políticas de prevenção, inclui episódios únicos gravesPode gerar dano moral mesmo sem repetição
Assédio sexualConstrangimento com conotação sexual, valendo-se de hierarquiaCrime (art. 216-A do Código Penal), além das consequências trabalhistas

O que não é assédio, por si só

Nem todo conflito é assédio. Separar as coisas protege quem realmente sofre violência e evita acusações que não se sustentam.

Em geral não caracteriza assédioPassa a caracterizar quando
Cobrar metas e prazosAs metas são impossíveis e a cobrança vem com humilhação ou ameaça
Dar feedback negativoA crítica é pública, pessoal, repetida e sem orientação de melhoria
Transferir de setorA mudança é punição disfarçada ou isola a pessoa
Um desentendimento pontualO conflito vira perseguição contínua
Aplicar advertência prevista em regraA punição é seletiva e usada para intimidar

Quais são os efeitos do assédio psicológico na saúde?

Os sinais que costumam aparecer são ansiedade antes de ir trabalhar, insônia, choro frequente, irritabilidade, dificuldade de concentração, sensação de incompetência e sintomas físicos como dor de cabeça e alterações gastrointestinais. Com o tempo, o quadro pode evoluir para depressão, transtorno de ansiedade, burnout ou transtorno de estresse pós-traumático. O texto sobre ansiedade e depressão no trabalho ajuda a reconhecer esses sinais.

Esse dano importa também juridicamente. Quando o adoecimento tem origem no assédio, ele pode ser reconhecido como doença ligada ao trabalho, com reflexos no benefício do INSS e na estabilidade. O post sobre assédio moral e impacto psicológico explica essa relação.

Se você estiver em sofrimento intenso ou com pensamentos de tirar a própria vida, procure ajuda agora: o CVV atende pelo 188, de graça, 24 horas, e em emergência ligue para o SAMU, no 192.

Pressão psicológica no trabalho: o que fazer?

  1. Registre os fatos no dia em que acontecem. Data, hora, local, o que foi dito ou feito, quem estava presente. Um diário simples já tem valor como prova complementar.
  2. Guarde provas. Mensagens, e-mails, áudios, prints de grupos, convocações, avaliações de desempenho. O guia sobre como provar assédio moral pelo WhatsApp mostra como preservar esse material.
  3. Identifique testemunhas. Colegas que presenciaram episódios podem depor, mesmo que hoje tenham receio.
  4. Procure atendimento de saúde. Conte ao médico o que acontece no trabalho. O prontuário e os relatórios médicos são prova do dano.
  5. Use os canais disponíveis. Canal de denúncia da empresa, CIPA, RH, sindicato e Ministério Público do Trabalho. O passo a passo está no guia de como denunciar assédio moral, e a opção sem identificação, em denúncia anônima de assédio moral.
  6. Conheça as saídas jurídicas. Indenização por dano moral e, em casos graves, a rescisão indireta, que encerra o contrato com os direitos de uma demissão sem justa causa.

Evite confrontar o assediador sozinho e não grave conversas de terceiros das quais você não participa. Gravar a própria conversa, em que você é um dos interlocutores, costuma ser aceito como prova pela jurisprudência.

Assédio organizacional: quando o problema é o método de gestão

Nem todo assédio tem um único autor. Em algumas empresas, a humilhação faz parte do próprio sistema de gestão: rankings expostos no mural com “prendas” para os piores vendedores, reuniões diárias em que quem não bateu meta é cobrado na frente de todos, ameaça coletiva de demissão como forma de motivar. É o que se chama de assédio organizacional ou institucional.

Nesses casos, a vítima não é uma pessoa específica, é a equipe inteira. A Justiça do Trabalho tem condenado empresas por essas práticas em ações individuais e em ações civis públicas movidas pelo Ministério Público do Trabalho. Esse padrão costuma andar junto com a liderança tóxica. Para quem sofre, a lógica da prova é a mesma: registrar, guardar documentos e reunir colegas que vivem a mesma situação.

A empresa responde pelo assédio psicológico?

Sim. Pelo Código Civil, a empresa responde pelos atos de seus empregados e prepostos no exercício do trabalho, e tem o dever de manter um ambiente seguro. Empresas com CIPA precisam adotar medidas de prevenção e canal de denúncia, pela Lei 14.457/2022, e todas precisam gerenciar riscos psicossociais pela NR-1. Diante de uma denúncia, o caminho é acolher quem denuncia com sigilo, apurar com método, proteger a vítima sem puni-la, aplicar a medida proporcional e revisar as condições que permitiram o assédio. O roteiro está no guia sobre como investigar uma denúncia de assédio na empresa.

Para RH, DP e lideranças

Os 15 exemplos deste texto servem como lista de sinais para lideranças e RH reconhecerem o assédio antes que ele vire adoecimento. Desde 26/05/2026, a NR-1 exige que os riscos psicossociais, incluindo o assédio, sejam identificados e controlados no PGR. A AssédioNet leva o tema para dentro da empresa em palestra ou treinamento com médica e Auditora-Fiscal do Trabalho, presencial ou online, para lideranças, CIPA e SIPAT.

Palestra sobre assédio moral e sexualO que o RH deve fazer no afastamento

Para se aprofundar

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Para entender como o assédio se encaixa entre os riscos psicossociais e como o Direito do Trabalho trata o adoecimento que ele causa. Referência em pós-graduações de Direito, Medicina do Trabalho e Psiquiatria, na 3ª edição revisada e ampliada (2024).

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Perguntas frequentes sobre assédio psicológico no trabalho

O que é assédio psicológico no trabalho?

É a exposição repetida do trabalhador a condutas que humilham, isolam, intimidam ou desestabilizam, ferindo a dignidade e a saúde mental. No Brasil, é tratado como assédio moral.

Assédio psicológico e assédio moral são a mesma coisa?

No uso corrente no Brasil, sim. Os dois termos descrevem a exposição repetida a condutas que humilham ou desestabilizam o trabalhador. Juridicamente, o nome mais usado é assédio moral.

Um único episódio pode ser assédio psicológico?

Pela jurisprudência trabalhista, o assédio moral costuma exigir repetição. Mas um episódio isolado e grave, como uma humilhação pública intensa, pode gerar indenização por dano moral mesmo sem configurar assédio.

Assédio psicológico é crime?

Não existe crime específico de assédio moral no Código Penal. Algumas condutas, porém, podem configurar crimes como injúria, ameaça ou constrangimento ilegal. O assédio sexual é crime pelo art. 216-A do Código Penal.

Colega de trabalho pode praticar assédio psicológico?

Sim. O assédio pode vir do chefe, de colegas do mesmo nível ou até de subordinados. Em todos os casos, a empresa tem o dever de agir quando toma conhecimento.

Como provar assédio psicológico sem testemunhas?

Com mensagens, e-mails, gravações de conversas das quais você participou, registros de atendimento médico e um diário detalhado dos episódios. Provas indiretas somadas costumam ser aceitas.

Posso pedir demissão por assédio psicológico e manter os direitos?

Sim, pela rescisão indireta prevista no art. 483 da CLT. O trabalhador recebe as mesmas verbas de uma dispensa sem justa causa, mas precisa provar a falta grave do empregador.

Quanto tempo tenho para processar a empresa por assédio?

Até 2 anos depois do fim do contrato, podendo cobrar fatos dos últimos 5 anos contados da data em que a ação é proposta.

Assédio psicológico dá afastamento pelo INSS?

O assédio em si não, mas o adoecimento causado por ele sim, quando há incapacidade para o trabalho. Se a relação com o trabalho for reconhecida, o benefício pode ser o B91, com estabilidade de 12 meses depois da alta.

Fontes oficiais

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Escrito por Equipe AssédioNet.