Resposta direta: ansiedade e depressão no trabalho costumam começar com sinais que são ignorados: insônia, aperto no peito, irritação, choro fácil, queda de concentração e medo constante de errar. O que separa cansaço de adoecimento é a duração e a falta de recuperação: se o descanso não resolve há semanas, é hora de buscar avaliação médica.

Quando o trabalho causa ou agrava o quadro, o afastamento pode sair como B91, com FGTS mantido e 12 meses de estabilidade após a alta. Até 15 dias, quem paga é a empresa; a partir do 16º, o INSS. Se o ambiente adoece a equipe, há canais de denúncia na empresa, no Ministério do Trabalho e no Ministério Público do Trabalho.

Ansiedade ou depressão estão atrapalhando o seu trabalho e você não sabe que caminho seguir? A equipe AssédioNet oferece consulta médica online em saúde mental do trabalho, de até 60 minutos, com relatório médico e, quando indicado, a documentação para o INSS. Você envia um resumo do seu caso e recebe orientação e horários em até 24 horas.

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A reunião de segunda começa e o estômago já aperta. O e-mail do gestor chega às 22h e o coração dispara. O sono piora, a vontade de ir trabalhar some. Ansiedade e depressão no trabalho raramente surgem de uma vez: elas se instalam aos poucos, muitas vezes confundidas com “dedicação” ou “fase difícil”. Aqui você vê os sinais de alerta, a diferença entre cansaço e adoecimento, quando o trabalho é a causa, quais são os seus direitos e onde denunciar a empresa quando o ambiente adoece.

Quais são os sinais de ansiedade e depressão no trabalho?

Os sinais podem ser físicos, emocionais e de comportamento. Nenhum deles, sozinho, fecha diagnóstico, mas a combinação e a duração merecem atenção.

Sinais físicos

  • Insônia ou sono que não descansa.
  • Dor de cabeça frequente e tensão muscular.
  • Problemas digestivos sem causa encontrada nos exames.
  • Coração acelerado, falta de ar ou aperto no peito, principalmente antes do trabalho.

Sinais emocionais e de comportamento

  • Preocupação constante com o trabalho, mesmo fora do horário.
  • Irritação fora do seu padrão.
  • Tristeza persistente, choro fácil, perda de prazer em coisas de que você gostava.
  • Isolamento dos colegas.
  • Queda de concentração, esquecimentos e erros que não aconteciam.
  • Medo constante de errar ou de ser demitido.

Se você estiver em sofrimento intenso ou com pensamentos de se machucar, procure ajuda agora: o CVV atende pelo telefone 188, gratuito e 24 horas, e o SAMU pelo 192.

Como diferenciar cansaço normal de adoecimento?

Todo trabalho tem picos de pressão. O que separa o estresse passageiro do adoecimento é a duração e a recuperação. Se depois de um fim de semana ou de férias você volta a se sentir bem, provavelmente ainda não cruzou a linha. Se o descanso não restaura, se você está “no limite” há semanas e os sintomas começam a atingir a vida fora do trabalho, é hora de buscar avaliação.

Um padrão chama a atenção nos quadros ligados ao trabalho: melhora nos fins de semana ou no afastamento e piora logo no retorno. Esse dado, registrado pelo médico ao longo do acompanhamento, é relevante para discutir a relação entre o adoecimento e o trabalho. Se a dúvida é entre esgotamento e depressão, veja burnout ou depressão: como diferenciar.

Quais CIDs aparecem no atestado por ansiedade e depressão?

O código é escolhido pelo médico, conforme a avaliação clínica, e só aparece no atestado com a sua autorização. Os mais frequentes nesses quadros estão no grupo F da CID-10:

CódigoNome oficial (CID-10)
F32Episódios depressivos
F33Transtorno depressivo recorrente
F41.0Transtorno de pânico [ansiedade paroxística episódica]
F41.1Ansiedade generalizada
F41.2Transtorno misto ansioso e depressivo
F43Reações ao “stress” grave e transtornos de adaptação

Nenhum desses códigos define quantos dias de afastamento a pessoa terá. Quem define é o médico que avalia, no atestado, e a perícia médica do INSS, no benefício. Para o significado de um código específico, veja o que significa o CID F41.1 no atestado.

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Checklist: como garantir o B91 e a estabilidade de 12 meses

Se a ansiedade ou a depressão têm origem no trabalho e levaram ao afastamento, a espécie do benefício decide se você terá estabilidade na volta. Os documentos que a perícia espera, o que não pode faltar no relatório médico, como pedir a CAT e a conversão de B31 em B91. Preparado pela Equipe AssédioNet.

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Quando o trabalho é a causa, o que muda?

Ansiedade e depressão têm várias causas possíveis. Quando o trabalho causa ou agrava o quadro, a Lei 8.213/1991 equipara a doença do trabalho ao acidente de trabalho, e isso muda bastante o cenário:

  • O afastamento pode ser concedido como B91, o auxílio por incapacidade temporária acidentário.
  • Há 12 meses de estabilidade após a alta (art. 118 da Lei 8.213/1991).
  • O FGTS continua sendo depositado durante o afastamento.
  • A empresa deve emitir a CAT; se não emitir, outras pessoas podem fazê-lo. Veja CAT por doença mental: quem emite.
  • Se houver culpa ou omissão da empresa, pode haver discussão de indenização na Justiça do Trabalho.

O INSS reconhece o nexo pela CAT, pela análise da perícia ou pelo NTEP, que cruza o CID com a atividade econômica da empresa (CNAE). Quando o NTEP se aplica, o nexo é presumido, e a empresa pode contestá-lo. Assédio moral, metas abusivas e jornadas excessivas são fatores que costumam aparecer nesses casos. Veja o impacto do assédio moral na saúde mental.

O que sustenta o nexo é um conjunto: acompanhamento médico com evolução registrada, relação no tempo entre os sintomas e um marco do trabalho, descrição das condições de trabalho no relatório médico e documentos como registros de jornada, e-mails e mensagens.

Quais são os seus direitos com ansiedade ou depressão?

DireitoComo funciona
Atestado e afastamentoAté 15 dias, a empresa paga; a partir do 16º, o INSS, se a perícia conceder o benefício
B31 ou B91B31 é o auxílio comum; B91, o acidentário, quando há nexo com o trabalho
Estabilidade12 meses após a alta no B91; no B31 não há estabilidade automática
Sigilo do diagnósticoO CID só vai no atestado com a sua autorização
Proteção contra dispensa discriminatóriaA dispensa ligada à doença pode ser questionada (Súmula 443 do TST e Lei 9.029/1995)
Reabilitação profissionalServiço do INSS quando há limitação para a função original

Se o benefício saiu como B31 e a origem é o trabalho, é possível pedir revisão: veja B31 ou B91: como saber e como converter B31 em B91. Se o INSS negou, leia o que fazer quando o INSS nega o afastamento psiquiátrico. Para organizar o pedido do zero, siga o passo a passo do afastamento por saúde mental e veja como se preparar para a perícia do INSS.

Posso ser demitido com ansiedade ou depressão?

Durante o afastamento pelo INSS, o contrato fica suspenso e a dispensa sem justa causa não produz efeito. Depois da alta, com B91 há estabilidade de 12 meses. Com B31 não há estabilidade automática, mas a dispensa discriminatória pode ser questionada, e a Lei 9.029/1995 prevê, nesses casos, a reintegração ou o pagamento em dobro da remuneração do período de afastamento. Veja posso ser demitido depois de voltar do afastamento? e demissão durante atestado médico.

Onde denunciar uma empresa que adoece os trabalhadores?

Quando as condições de trabalho estão adoecendo você ou a equipe, há canais dentro e fora da empresa:

  • Canal de denúncia interno. A Lei 14.457/2022 obriga empresas com CIPA a ter medidas contra o assédio, incluindo canal de denúncia. Guarde o protocolo.
  • CIPA. Pode registrar situações de risco e levá-las à discussão na empresa.
  • Ministério do Trabalho e Emprego. A Inspeção do Trabalho recebe denúncias sobre descumprimento de normas, inclusive da NR-1, que desde 26/05/2026 exige a gestão dos riscos psicossociais no PGR.
  • Ministério Público do Trabalho. Atua quando a situação afeta o coletivo de trabalhadores.
  • Sindicato da categoria. Pode orientar e acompanhar a denúncia.

O passo a passo, com o que reunir antes, está em como denunciar assédio moral no trabalho. Se você tem medo de se expor, veja como fazer denúncia anônima.

Como buscar ajuda?

O primeiro passo é a avaliação médica: clínico geral, médico do trabalho ou psiquiatra. Um acompanhamento com registro da evolução é a base do tratamento e de qualquer proteção posterior. A psicoterapia costuma fazer parte do cuidado.

Na volta, um retorno planejado reduz o risco de recaída. Às vezes, a mudança de função é necessária: veja readaptação de função após afastamento.

Para RH, DP e lideranças

Ansiedade e depressão ligadas ao trabalho têm fatores que a empresa consegue identificar e controlar, como sobrecarga, metas sem critério, falta de apoio e assédio. Desde 26/05/2026, a NR-1 exige que esses riscos psicossociais estejam no PGR, com plano de ação. A AssédioNet leva o tema para dentro da empresa em palestra ou treinamento com médica e Auditora-Fiscal do Trabalho, presencial ou online, para lideranças, CIPA e SIPAT.

Palestra sobre NR-1 e riscos psicossociaisO que o RH deve fazer no afastamento

Para se aprofundar

Livro Riscos Psicossociais e Saúde Mental do Trabalhador

O livro mostra como o trabalho participa da ansiedade e da depressão, como o nexo é analisado e o que a prevenção exige das empresas. Referência em pós-graduações de Direito, Medicina do Trabalho e Psiquiatria, na 3ª edição revisada e ampliada (2024).

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Perguntas frequentes sobre ansiedade e depressão no trabalho

Ansiedade no trabalho dá atestado?

Dá, quando o médico avalia que há incapacidade para trabalhar. Até 15 dias, a empresa paga os dias de afastamento; acima disso, o pedido vai para o INSS, que decide pela perícia médica.

Depressão dá afastamento pelo INSS?

Dá, quando a perícia médica do INSS reconhece incapacidade para o trabalho. O benefício começa a partir do 16º dia; os 15 primeiros são pagos pela empresa. Nenhum CID define sozinho a duração.

Depressão causada pelo trabalho dá estabilidade?

Dá, quando o benefício é concedido como B91, com nexo com o trabalho reconhecido: são 12 meses de estabilidade após a alta, pelo art. 118 da Lei 8.213/1991.

Posso ser demitido com depressão?

Durante o afastamento, não. Depois da alta, com B91 há 12 meses de estabilidade. Com B31 não há estabilidade automática, mas a dispensa discriminatória pode ser questionada com base na Súmula 443 do TST e na Lei 9.029/1995.

A empresa precisa saber o meu diagnóstico?

Não. O CID só aparece no atestado com a sua autorização. A empresa precisa saber o período de afastamento, não o diagnóstico.

O que é o NTEP e como ele ajuda?

É um critério do INSS que cruza o CID com a atividade econômica da empresa (CNAE). Quando se aplica, o nexo com o trabalho é presumido e o benefício pode sair como B91. A empresa pode contestar.

Depressão causada pelo trabalho gera indenização?

Pode gerar, quando há nexo entre o adoecimento e as condições de trabalho e culpa ou omissão da empresa. A discussão é feita na Justiça do Trabalho, com base em provas médicas e do ambiente de trabalho.

Onde denunciar uma empresa que adoece os funcionários?

No canal de denúncia interno, na CIPA, no Ministério do Trabalho e Emprego, pela Inspeção do Trabalho, no Ministério Público do Trabalho e no sindicato da categoria.

Como diferenciar estresse de ansiedade ou depressão?

O estresse passageiro melhora com descanso. Quando os sintomas duram semanas, não melhoram com folgas e começam a afetar a vida fora do trabalho, é hora de buscar avaliação médica.

Fontes oficiais

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Escrito por Equipe AssédioNet.