# Checklist da NR-1: o que a fiscalização vai pedir sobre riscos psicossociais

> URL: https://assed.io/checklist-nr1-riscos-psicossociais-fiscalizacao/
> Autor: Equipe AssédioNet
> Publicado: 2026-08-18
> Atualizado: 2026-09-23

**Resposta direta:** a NR-1 não pede um documento novo chamado “programa de riscos psicossociais”. Ela pede que os **riscos psicossociais entrem no inventário de riscos e no plano de ação do PGR** que a empresa já é obrigada a ter. Quem tem PGR e não citou fator psicossocial nenhum está com o documento incompleto.

Na fiscalização, o auditor não pergunta se a empresa “fez alguma coisa sobre saúde mental”. Ele pede o inventário, procura os fatores de risco psicossocial, checa se há medidas de controle definidas com prazo e responsável, e verifica se houve acompanhamento do que foi implantado.

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## O que a NR-1 exige sobre riscos psicossociais

A NR-1 organiza o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), e o PGR é o documento onde ele vive. Os [riscos psicossociais](https://assed.io/riscos-psicossociais-no-trabalho-o-que-sao-nr1/) entraram nesse fluxo como qualquer outro risco: precisam ser identificados, avaliados, controlados e monitorados.

A diferença prática é que a maioria das empresas nunca fez essa identificação. O inventário lista ruído, agente químico, movimento repetitivo — e para. Fator psicossocial simplesmente não aparece, como se não existisse na operação.

## Checklist: o que precisa estar pronto

Use como conferência interna antes de qualquer visita da fiscalização.

| Item | O que o auditor procura | Erro comum |
| --- | --- | --- |
| **1. Inventário de riscos com fatores psicossociais nomeados** | Fatores concretos da operação: sobrecarga, ritmo imposto, jornada, metas, falta de autonomia, conflito e assédio, insegurança no emprego | Escrever “estresse” como se fosse um risco. Estresse é efeito, não fator |
| **2. Método de identificação documentado** | Como a empresa levantou: instrumento aplicado, entrevistas, grupos, análise de indicadores | Não registrar o método, só o resultado |
| **3. Avaliação com critério explícito** | Como se chegou ao nível de risco de cada fator | Classificar tudo como “baixo” sem justificar |
| **4. Plano de ação com prazo e responsável** | Medida, prazo, quem responde e como se verifica a eficácia | Ação genérica do tipo “promover qualidade de vida” |
| **5. Medidas na fonte, não só no indivíduo** | Mudança em jornada, meta, dimensionamento e gestão | Resolver tudo com palestra e aplicativo de meditação |
| **6. Integração com a CIPA** | Tema em ata, e a articulação com as obrigações da Lei 14.457 | CIPA que só trata de acidente típico |
| **7. Canal de denúncia funcionando** | Anonimato, proteção contra retaliação e registro de apuração | Caixa de e-mail no RH sem procedimento |
| **8. Acompanhamento de afastamentos por transtorno mental** | Dados de absenteísmo e afastamento por CID F alimentando o inventário | Ter o dado no RH e não usar no PGR |
| **9. Registro de treinamentos** | Conteúdo, data e lista de presença | Treinar e não registrar |
| **10. Revisão periódica** | Reanálise quando muda processo, estrutura ou após evento relevante | PGR feito uma vez e esquecido |

## Como identificar os fatores sem inventar metodologia

Não é preciso criar um instrumento do zero. Existem questionários validados e usados internacionalmente para avaliação de fatores psicossociais no trabalho, entre eles o **COPSOQ** (Copenhagen Psychosocial Questionnaire), o **JCQ** (Job Content Questionnaire, do modelo demanda-controle) e o **ERI** (Effort-Reward Imbalance). A escolha depende do porte, do setor e da capacidade de análise.

Antes de aplicar qualquer questionário, porém, vale olhar o que a empresa já tem. Estes indicadores costumam apontar sozinhos onde está o risco:

- Afastamentos por CID do grupo F, por área e por período
- Rotatividade concentrada em um setor ou sob uma mesma liderança
- Absenteísmo de curta duração recorrente
- Denúncias registradas, mesmo as arquivadas
- Horas extras habituais e banco de horas estourado
- Resultados de pesquisa de clima, se houver

Um levantamento que cruza esses dados costuma ser mais convincente para o auditor do que um questionário aplicado sem contexto. Detalhamos o passo a passo em [como fazer o mapeamento de riscos psicossociais](https://assed.io/mapeamento-riscos-psicossociais-guia/).

## Medidas de controle que se sustentam numa fiscalização

Existe uma hierarquia de controle na NR-1, e ela vale também para o risco psicossocial. Medida que age sobre a organização do trabalho vem antes de medida que age sobre a pessoa.

| Nível | Exemplos aplicados a risco psicossocial |
| --- | --- |
| **Eliminar o fator** | Rever meta inatingível, encerrar prática de ranking público de desempenho, acabar com cobrança fora do horário |
| **Reduzir na fonte** | Redimensionar equipe, revisar escala e jornada, redistribuir carga entre turnos, ajustar prazos |
| **Medidas administrativas** | Política contra assédio com apuração real, canal de denúncia, formação de lideranças, protocolo de retorno ao trabalho |
| **Medidas individuais** | Apoio psicológico, acolhimento, encaminhamento clínico |

Apoio psicológico é importante e deve existir. O que não se sustenta é usá-lo _no lugar_ da correção do que adoece: se a causa é a meta, oferecer terapia trata o efeito e mantém o fator. O auditor lê o plano de ação exatamente com essa lente.

## O que acontece numa fiscalização

A auditoria-fiscal do trabalho pode chegar por rotina, por denúncia ou por acidente e adoecimento comunicados. Em qualquer dos casos, o documento pedido é o mesmo: o PGR, com inventário e plano de ação.

O que costuma gerar autuação não é a existência do risco — riscos existem em toda operação. É a ausência de gerenciamento: risco não identificado, medida não definida, prazo vencido sem justificativa, ação sem evidência de execução.

Vale registrar um ponto que muda a conversa com a diretoria: **o custo do descumprimento raramente é a multa**. É o passivo trabalhista que se acumula quando a empresa não consegue demonstrar, em juízo, que gerenciava o risco. Sobre isso, veja [como o valor da indenização é definido](https://assed.io/indenizacao-assedio-moral-valor/).

## Perguntas frequentes sobre o checklist da NR-1

### A NR-1 exige um programa separado de riscos psicossociais?

Não. A exigência é que os riscos psicossociais integrem o inventário de riscos e o plano de ação do PGR que a empresa já mantém. Não existe obrigação de criar um documento autônomo com esse nome.

### Qual o prazo para a empresa se adequar à NR-1 quanto aos riscos psicossociais?

A obrigação de gerenciar riscos ocupacionais já está vigente e alcança os fatores psicossociais. Não existe carência para “começar depois”: o que a fiscalização verifica é se o inventário e o plano de ação contemplam esses fatores no momento da inspeção. Empresa sem nada registrado está em descumprimento hoje.

### Empresa pequena também precisa avaliar riscos psicossociais?

O gerenciamento de riscos alcança todas as organizações com empregados, com grau de complexidade proporcional ao porte e ao risco da atividade. Uma empresa pequena não precisa de questionário validado e análise estatística, mas precisa demonstrar que identificou os fatores presentes na sua operação e definiu o que fará a respeito.

### Qual questionário usar para avaliar risco psicossocial?

Há instrumentos validados e usados internacionalmente, como o COPSOQ, o JCQ do modelo demanda-controle e o ERI de desequilíbrio esforço-recompensa. A escolha depende do porte, do setor e da capacidade de analisar o resultado. Aplicar questionário sem plano de análise gera dado que não vira ação, e isso não protege a empresa.

### Palestra sobre saúde mental cumpre a NR-1?

Não sozinha. Formação e sensibilização são medidas legítimas e entram no plano de ação, mas atuam sobre as pessoas e não sobre os fatores organizacionais. Se o fator identificado é sobrecarga ou meta inatingível, o plano precisa prever também a medida que age sobre esse fator.

### Quem deve elaborar o inventário de riscos psicossociais?

A responsabilidade é da organização. Na prática, o trabalho costuma envolver SESMT, RH e CIPA, com apoio técnico especializado quando a empresa não tem quadro próprio com essa competência. O que não funciona é delegar integralmente a um fornecedor e arquivar o relatório sem plano de ação.

### Assédio moral precisa constar do inventário de riscos?

Sim. Assédio é um fator de risco psicossocial e deve constar quando presente na operação, com as medidas de controle correspondentes. Ele também tem tratamento próprio pela Lei 14.457 para empresas com CIPA, como detalhamos em [as obrigações da Lei 14.457](https://assed.io/lei-14457-cipa-assedio-obrigacoes/).

### Leia também

- [Política de prevenção ao assédio: o que ela precisa ter](https://assed.io/politica-prevencao-assedio-empresa/)
- [Como investigar uma denúncia de assédio na empresa](https://assed.io/como-investigar-denuncia-assedio-empresa/)

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_Conteúdo informativo. Não substitui avaliação médica ou jurídica individualizada. Para orientação sobre seu caso, consulte um profissional habilitado._

_Escrito por **Equipe AssédioNet**._

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Fonte: AssédioNet (https://assed.io/). Instrucoes para agentes: https://assed.io/para-agentes/.
